Por Periferia em Movimento

Pode-se dizer que o papel do mediador é o mais importante da jogada quando o assunto é fútbol callejero. E durante o Mundial foi fácil perceber sua atuação em todas as partidas. É ele que no primeiro tempo conduz a conversa e define com os times o que será regra. Enquanto a bola rola, sua tarefa é observar o andamento da jogada e chamar a atenção caso os acordos não sejam respeitados ou mediar possíveis conflitos durante o jogo. Ao final, cabe ao mediador ajudar na avaliação coletiva e na definição de pontos baseada não só no número de gols.

Sara Guzmán Velásquez, 23 anos, é experiente nessa função. Ela foi mediadora nesse Mundial pela delegação da Costa Rica. A jovem e sua equipe integram a iniciativa Fútbol por la Vida, que há 8 anos trabalha com o fútbol callejero em San José. Eles atuam com 450 crianças e jovens das comunidades de Tejarcillos de Alajuelita, Carpio e Corina. A seleção para jogar no Mundial foi feita com base em 4 critérios: situação social, frequência no centro esportivo, capacidade física para jogar e ser um bom exemplo na comunidade.

Sara Guzmán é mediadora e educadora física no projeto Fútbol por la Vida

Sara Guzmán é mediadora e educadora física no projeto Fútbol por la Vida

Eles ficam na beira do campo lembrando as regras principais "Respeito! Solidariedade!"

Eles ficam na beira do campo lembrando as regras principais “Respeito! Solidariedade!”

publicada no site do TJ-SP

A Coordenadoria da Família e Sucessões (CFS) promoveu ontem (28), na Sala do Servidor do Fórum João Mendes Júnior, o I Encontro de Mediação Esportiva do Tribunal de Justiça, realizado em parceria com a Corregedoria Geral da Justiça e apoio da Presidência. O objetivo era contribuir com o embasamento teórico de jovens mediadores que atuarão no “III Mundial de Futebol de Rua”, que acontecerá entre os dias 1º e 12 de julho na cidade de São Paulo com 24 países participantes. O torneio é promovido pela Organização Não Governamental (ONG) Ação Educativa em parceria com o TJSP.

O juiz coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania Central da Capital (Cejusc), Ricardo Pereira Junior, representou o desembargador coordenador da CFS, Paulo Eduardo Razuk, e participou da abertura do evento. “O Mundial de Futebol de Rua tem por objetivo difundir outra prática futebolística, na qual a mediação ocupa lugar privilegiado.” A mesa dos trabalhos também foi composta pelo juiz assessor da CGJ Jayme Garcia dos Santos Junior e pela coordenadora da CFS, Mônica Nardy Marzagão Silva.

A advogada e mediadora do Cejusc, Cinthia Maria Zaccariotto Ferreira, que proferiu palestra, enfatizou que na mediação uma parte não precisa perder para a outra ganhar. “A mediação amplia a visão de mundo e estimula quem dela faz uso – como mediador ou parte – a difundir a paz.”

Outro palestrante, o sociólogo e coordenador de projetos da ONG Ação Educativa, Rodrigo Medeiros, falou sobre o Movimento de Fútbol Callejero. “O futebol de rua, originário do fútbol callejero, é uma prática esportiva e sociopedagógica, que busca entender o futebol como uma estratégia para gerar processos comunitários de transformação e impulsionar o desenvolvimento de lideranças.”

O educador e mediador esportivo do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca) Sapopemba e da ONG Ação Educativa, Vandrigo Lugarezi, último expositor do dia, destacou que a metodologia do futebol de rua prevê a presença de um mediador: não há árbitro, os times são mistos e a partida composta por três tempos.  “A reflexão é ponto central na metodologia do futebol de rua.”
O evento contou com 60 participantes, entre eles a mediadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Osmara Nogueira, que avaliou como muita produtiva sua participação no encontro. O tema atraiu também dois empresários do setor esportivo, Guilherme Mil e Lucas Menezes, interessados em ajudar na organização do Mundial.

O juiz Jayme Garcia dos Santos Junior fez o encerramento do encontro, ocasião em que agradeceu a presença dos participantes e conclamou todos à reflexão: “Vamos samplear mais atitudes de amor”.